Assim, neste ritmo: tá-vá-pá-tê-li-gá..., já mo disseram ao atender o meu telefonema, ouve-se por aí a expressão com frequência. Populares, os telemóveis, a cobertura das redes vai chegando a todo o lado, mesmo às aldeias mais remotas. Só 30% do país tem rede electrica, mas há mais de 16 milhões de telemóveis... Faltarão mais de 12.000Km de estradas de acordo com o plano de construção governamental para os próximos anos, mas comunicar é preciso, parafaseando a cantiga do Chico Buarque, viver também é preciso, digo eu. Transportar coisas e ir de um lado para outro ainda é complicado por estas bandas, falar ao telemóvel é fácil, e tende a ser barato. A propósito, um dia destes, o F teve de transportar um montão de coisas de Luanda para uma obra em Cabinda. Só é possível de avião ou de barco; barco não há, virtualmente, resta o avião, e desse há, conveniente, o da Força Aérea Nacional de Angola, não regular mas frequente. A FAN presta, por um preço em conta, esse “inestimável serviço às populações” de amontoar nos Ilyushin-76 pessoas e carga que distribui entre as várias pistas de aterragem espalhadas pelo território. É verdade, eles até voam para aeroportos “inomináveis”, não é esse o caso de Cabinda, felizimente. Como o serviço não é regular, o F, conhecedor, seguiu cuidadosamente as regras nacionais: a regra numero um, é pagar adiantado; depois, ir para o aeroporto militar e esperar que haja voo (regra número dois, paciência). Talvez amanhã; ainda... Depois... ainda; e depois, ainda... Lá foi, quatro dias depois. E lá foi junto com a carga, para não lhe perder o rasto à chegada (regra número três, não confies nem na própria sombra). Para garantir que conseguiria fazer a obra, tratou ele da descarga e do transporte à saída do aeroporto (regra número quatro: a dois e a três juntas e mais, se quiseres alguma coisa bem feita, fá-la tu). Ah, a DHL tambem transporta cargas de qualquer tipo, mesmo incómodas, as ditas “não normalizadas”, serviço certinho e com qualidade; nem queiram saber é o preço... Considerando isso, M noutro dia teve que enviar umas caixas para Cabinda, mas resolveu apenas despachar a carga no aeroporto e voar depois numa companhia comercial, ignorando uma porção de regras. Claro, a carga demorou mais de uma semana a ser transportada, e mais três dias para tirar as caixas no aeroporto de Cabinda, depois de buscas no terminal civil, na alfândega, nos vários armazéns militares... Afinal veio na TAAG, lá estava algures a mercadoria. E mais três dias para descobrir e recolher duas caixas que ficaram esquecidas. Para esquecer.
Ontem caíu um helicóptero na província de Malanje. Levava dez pessoas, um morreu os outros tiveram apenas escoriações ligeiras. Não me apetece divagar sobre o fado de um e os azares de outros, vou “bloquear” isso mais uns tempos, lá virá a altura para lidar com ao tema. Segundo dizia um sobrevivente em entrevista à TV estatal, com o heli acidentado em fundo deitado de lado com pedaços da traseira espalhados no terreno e mirones à volta, transportavam pedra, cimento, ferro, “e outros materiais para montar a antena” de uma rede de telemóveis, num sítio remoto. Comunicar, é preciso.
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