quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vai-se andando

É uma imagem comum ver uma jovem caminhar com um filho às costas e outro(s) atrás, ou à frente, grávida. Raro é ver uma mulher de trouxa à cabeça sem dois pezinhos a aprecerem um de cada lado da cintura.

Aqui começa-se cedo a ter filhos e nunca mais se para; também se morre cedo, as estatísticas correm por aí. Vê-se bem, mesmo para um olhar distraido e superficial como o meu olhar do costume, que a idade média da população é baixa. Há bué gente jovem, as crianças são uma constante, andam aos bandos por todo o lado. E as mulheres-mães só podem ter um nível de autonomia (e de resistência) extraordinários: são elas que tudo carregam à cabeça e ainda transportam as crianças às cavalitas, seguras por uma faixa de pano colorido apertada à frente. Se são muito pequeninos, é uma extensão do lenço de cabeça da mãe que cai pelas costas e cobre a criança totalmente, amenizando o Sol e alguns mosquitos. Se é hora da refeição, nem por isso a mulher para: o pimpolho passa para debaixo do braço, a carita ao alcance da mamita, e aí vão eles sem interromper a caminhada. Dá-nos uma perspectiva étnica da fast-food e faz pensar na quantidade de culturas que por esse mundo fora desenvolveram preparações de alimentos boas para comer em movimento. Um tema a desenvolver mais tarde, mas que irá certamete incluir a pita, o pemmican, a salsicha (alemã, claro!), a sardinha assada, o bife tártaro, o corno das azeitonas e o macdonal-épimil entre outros...

Lá para os nossos lados os putos não andam tanto nem são “largados” ao trabalho tão cedo, mais protegidos destas andanças rurais básicas da sobrevivência. Por outro lado, são frequentemente “abandonados” pelos pais mais cedo; aqui, antes dos dois anos não largam, literalmente, as saias da mãe. Depois, toca a andar...

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