![]() |
| Roteiro da Huíla (clicar na imagem para ampliar) |
E acontece que à beira do planalto o “lá em baixo” é mesmo muito lá em baixo, mil metros de altitude mais abaixo (na fenda da Tundavala serão mesmo 1200 metros). Tanto no miradouro à entrada da portela da Serra da Leba como na Tundavala, Serra da Chela, a vista estende-se até perder de vista, passe o redundância assim as condições atmosféricas colaborem. Acho mesmo que se devem visitar estes sítios para deslumbrar mais vezes, na estação seca (agora) que o clima é mais ameno, e na das chuvas quando o ar está mais lavado e se vê mais longe.
Uma coisa curiosa é o vento.
Ou melhor, a ausência dele: ao princípio há uma estranha calma no planalto que quase não se nota, pois quando saímos do carro logo a visão dramática do precipício e o contorno maciço da montanha nos absorvem a atenção; só muito depois reparo que falta qualquer coisa nesta montanha, não há aquela força que nos estorva o caminhar nem o ruido constante nos ouvidos. É que mesmo à beirinha do miradouro (14o 49’ 04,57”S, 13o 22’ 56,86”E ±13m) a 2.250 m de altitude, não há vento. Zero mesmo, paz absoluta, tudo em silêncio e deslumbramento. Ah, outra coisa em que reparei, no miradouro da Serra da Leba arranjam-se uns finos e um churrasco a partir dos frangos criados nas trazeiras do “Miradouro da Leba Pousada” e restaurante. As coisas importantes, paisagens destas abrem o apetite. Outros ventos, os da mudança, também sopram embora muito suavemente no Lubango, conhecida como a “cidade mais branca” de Angola. Convenhamos, os ventos de Leste têm resolvido rapidamente uma série de problemas do quotidiano, embora me queira parecer que a) a prazo, vão deixar mais problemas que os que resolveram; b) nem toda a “cooperação” está a ser direccionada para o que faz realmente falta e c) o resultado acabará por ser muito mais benéfico, nomeadamente, para a China. Não é para me (nos) gabar os portugueses são do melhorzito que por aqui há, trazidos na maioria pelos ventos do Norte em tempos idos. Não é de estranhar que esteja florescente a indústria de presuntos e enchidos, de queijos com qualidade internacional, de sumos de fruta, de pedras ornamentais, só para dar uns exemplos. E os tugas foram ficando, nesta ponta do planalto ameno, quase todo de calcário dolomítico, granito cinza e rosa, areia branca. Lá mesmo no cimo dos montes há estratificações calcáreas curiosas,
aparecendo mais abaixo aqueles inselbergs de granito, basalto ou lá o que for (realmente não percebo nada de geologia), com ar de erosão mal acabada já conhecidos do Huambo e doutros pontos do planalto central. À medida que descemos para as terras dos Huilas, vamos divisando a planura sem fim, até chegarmos ao alto vale onde suavemente se espraia na areia branca e no barro amarelo a cidade do Lubango. Como bónus, a cidade é bordejada a Sul por uma “parede” de calcário estratificado onde encarrapitaram um miradouro com Cristo Rei e uns arrebiques angolanos, com um ar de Rio de Janeiro misturado de Almada em ponto pequeno. Subindo uma escadinha interior de “via única” em caracol, acede-se ao topo do pedestal (altitude 2.150m), de onde se obtém um panorama completo da cidade e arredores. Muito bonito, isto tudo, nesta estação desidratada e sem vento.




Sem comentários:
Enviar um comentário